DIA 20 de SETEMBRO
06/09/2014 18:57
Em 20 de setembro de 1835, liderados por Bento Gonçalves, os Farroupilhas, venciam o confronto da Ponte da Azenha e entravam na província de Porto Alegre. O governador Fernandes Braga fugiu para a cidade portuária de Rio Grande, que se tornou a principal base do Império no estado. Iniciou-se a Guerra dos Farrapos, também chamada de Revolução Farroupilha, é o mais longo conflito armado ocorrido em território brasileiro, que resultou na declaração de independência do Estado do Rio Grande do Sul, dando origem à República do Piratini, que durou cerca de sete anos.
O Rio Grande do Sul vivia basicamente da pecuária extensiva e da produção de charque (carne-seca), que era vendido para outras regiões do país abastecendo o mercado interno brasileiro que vivia da exploração de metais preciosos nas Minas Gerais. No início do século XIX, a taxação sobre o charque gaúcho tornava o produto pouco competitivo, e logo o charque proveniente do Uruguai e da Argentina passou a abastecer esta demanda e não era tributada na importação.
Alguns estancieiros (fazendeiros), indignados com o descaso da Corte por não serem atendidas suas inúmeras reivindicações e cansados de serem usados como escudo em várias guerras na região, os gaúchos que em sua maioria eram militares, pegaram em armas contra o Império.
Em 11 de Setembro de 1836, Antônio de Souza Netto após proclamar a República Rio-Grandense, indica Bento Gonçalves como presidente, que sofre uma grande derrota na Batalha da Ilha do Fanfa, sendo levado preso para o Rio de Janeiro, e logo em seguida para o Forte do Mar, em Salvador, de onde fugiria espetacularmente.
Em 15 de julho de 1839, com a tomada de Laguna, em Santa Catarina e com a ajuda do italiano Giuseppe Garibaldi, os farroupilhas tinham um porto de mar. Estava proclamada a República Juliana no Estado de Santa Catarina, num processo semelhante ao dos Farroupilhas.
Em 1840, D. Pedro II, devido a forte instabilidade institucional, buscando restabelecer a paz no sul do País, propôs anistia aos rebeldes farroupilhas, mais sem sucesso, sendo em 1842, que Barão de Caxias (Luís Alves de Lima e Silva), comanda as forças militares do governo federal e começa a conter a revolta.
Após dez anos de batalhas, com Bento Gonçalves já afastado da liderança e com as tropas já muito desgastadas, os farrapos aceitam negociar a paz. Em fevereiro de 1845, é então selada a paz em Poncho Verde, conduzida pelo general Luís Alves de Lima e Silva, Barão de Caxias. Muitas das reivindicações dos gaúchos foram atendidas e a paz voltou a reinar no Brasil.
Em 1845, com a celebração de um acordo entre o Império representado pelo barão de Caxias e os rebeldes, por Davi Canabarro, a revolução Farroupilha chega ao fim, onde os revoltosos eram anistiados e os oficiais Farroupilhas incorporados ao exército nacional e os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina voltavam a fazer parte do império brasileiro. E os charques argentino e uruguaio passaram a ser taxados em 25%.
O Hino Rio-Grandense é cantado com orgulho pelo gaúcho e é observado com admiração pelo país quando nos campos de futebol o estádio todo canta orgulhosamente, tanto por gremistas como por colorados.
Hino Rio-Grandense
Letra: Francisco Pinto da Fontoura
Música: Joaquim José de Mendonça
Harmonia: Antônio Corte Real
Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o Vinte de Setembro
O precursor da Liberdade.
Mostremos valor, constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda a terra.
Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo.
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo.
Mostremos valor, constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda a terra
A Revolução Farroupilha estabelece toda a identidade do povo gaúcho, com suas tradições e seus ideais de liberdade e
igualdade, sendo decretado em 1978 feriado em todo o Estado pela lei estadual 4.453/78, mais esta tradição é culturalizada e reverenciada não só no Estado do Rio Grande do Sul, mas no país e no mundo, através dos milhares de CTGs (Centro de Cultura Gaúcha) espalhados por todos os cantos e querências, com eventos que iniciam um mês antes com a chama crioula desfilando pelo pampa gaúcho até a capital, em Porto Alegre, que culmina no dia 20 de Setembro com desfiles a cavalo e selamento da chama crioula, reafirma o orgulho do gaúcho pelas suas origens e o amor por sua terra.